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Pânico com inteligência artificial e tarifas nos estados unidos derruba bitcoin para perto da mínima do ano

Criptomoeda recua mais de 5% nesta terça feira impactada por lançamento da anthropic e incertezas sobre taxas de importação do governo trump

O mercado de criptoativos enfrenta uma terça feira de forte correção, levando o bitcoin (BTC) a testar níveis de preço não vistos desde o início de fevereiro. A pressão vendedora ocorre em um cenário de aversão ao risco global, motivado tanto por temores tecnológicos quanto por mudanças na política comercial norte-americana. Às 10h01, a principal moeda digital do mundo registrava queda de 5,1% nas últimas 24 horas, cotada a US$ 62.975, conforme dados do CoinGecko. No Brasil, o ativo recuou 5,2%, negociado a R$ 326.053.

Este movimento aproxima o ativo digital de sua mínima anual, registrada em 6 de fevereiro, quando a cotação atingiu US$ 60.187. O pessimismo contagiou também as altcoins, reduzindo o valor de mercado total das criptomoedas para US$ 2,26 trilhões.

Impacto da inteligência artificial e tarifas

Dois fatores macroeconômicos e setoriais impulsionaram a desvalorização. O primeiro envolve o receio de disrupções industriais causadas pela inteligência artificial. O lançamento de uma nova ferramenta de segurança pela Anthropic, para seu modelo Claude, capaz de analisar códigos em busca de vulnerabilidades, provocou queda nas ações de empresas de cibersegurança e contaminou o sentimento de risco em ativos de tecnologia.

Simultaneamente, o cenário político nos Estados Unidos adicionou volatilidade. O presidente Donald Trump anunciou a elevação das tarifas de importação globais de 10% para 15%. A medida foi comunicada após uma decisão da Suprema Corte que invalidou as taxas anteriormente em vigor, gerando apreensão entre investidores sobre os rumos do comércio internacional.

Análise de mercado e riscos técnicos

Para especialistas, o momento reflete a sensibilidade do setor cripto a fatores externos. André Franco, CEO da casa de análise Boost Research, avaliou a situação atual.

“Embora a leve recuperação em mercados de ações asiáticos e o rali global em alguns setores possa oferecer suporte técnico ao sentimento de risco, a pressão macro e a incerteza global tendem a dificultar movimentos altistas significativos no bitcoin no curtíssimo prazo, favorecendo consolidação lateral ou leves retrações técnicas”

Do ponto de vista gráfico, o site Coindesk aponta para riscos de novas liquidações no mercado futuro caso o suporte de US$ 60 mil seja rompido. Nessa hipótese, a criptomoeda poderia buscar o patamar de US$ 52.500, uma zona de preço estabelecida ainda em 2021.

Desempenho das altcoins e fluxo de etfs

O movimento de baixa foi generalizado entre os principais ativos digitais. O ether (ETH), da rede Ethereum, recuou 5%, cotado a US$ 1.823. O XRP, utilizado pela Ripple para pagamentos, caiu 5,6% para US$ 1,33. A solana (SOL) e o BNB apresentaram desvalorizações de 5% e 4%, respectivamente.

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) nos Estados Unidos refletiram o sentimento negativo. O saldo líquido dos ETFs de bitcoin à vista foi negativo em US$ 203,8 milhões na segunda feira, com o fundo IBIT, da BlackRock, liderando as saídas com US$ 116,4 milhões de vendas líquidas. Os ETFs de ether também registraram fluxo negativo de US$ 49,5 milhões. Na contramão, os ETFs de solana obtiveram um saldo positivo modesto de US$ 8 milhões.

Segundo o Valor, a combinação desses fatores mantém os investidores em alerta quanto à sustentabilidade dos preços atuais no curto prazo.

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