Co-ceo da exchange publica carta legal acusando jornal de imprecisão sobre suposta movimentação de fundos para grupos terroristas e saída de funcionários da área de conformidade
A tensão entre a maior plataforma de criptomoedas do mundo e a imprensa norte-americana atingiu um novo patamar nesta terça-feira. A Binance reagiu oficialmente às acusações veiculadas pelo The Wall Street Journal, rotulando as informações publicadas sobre violações de sanções e demissões internas como falsas e difamatórias.
Richard Teng, co-CEO da companhia, utilizou sua conta na plataforma X para rebater a narrativa de que a empresa teria desligado investigadores que identificaram fluxos financeiros ilícitos.
The Wall Street Journal publicou alegações difamatórias, apesar das tentativas da exchange de corrigir os fatos.
A declaração estava contida em uma carta enviada pelos advogados da empresa em Nova York à organização de notícias, compartilhada pelo executivo. O documento refuta a tese de que o programa de conformidade da corretora estaria comprometido.
Entenda as acusações sobre fluxos financeiros e o Irã
A reportagem contestada, publicada na segunda-feira, afirmava que a Binance demitiu investigadores após a equipe identificar cerca de US$ 1 bilhão movimentados para uma rede de financiamento de grupos apoiados pelo Irã. O texto citava documentos internos e fontes familiares às operações para alegar que a investigação interna sobre esse montante havia sido desmantelada.
Outros veículos, como o The New York Times, também reportaram que mais US$ 1,7 bilhão teriam sido transferidos entre 2024 e 2025 de clientes chineses registrados na plataforma para grupos militantes, incluindo os Houthis do Iêmen.
A versão da empresa sobre as demissões e conformidade
A defesa da exchange apresenta uma justificativa oposta para a saída dos quatro indivíduos citados nas reportagens. Segundo porta-vozes da companhia, nenhum investigador foi demitido por levantar preocupações de conformidade. A versão oficial aponta que esses funcionários pediram demissão ou foram disciplinados justamente por não escalarem adequadamente os sinais de alerta relacionados a atividades suspeitas.
Em comunicado à CoinDesk, um representante da empresa afirmou que uma revisão interna foi realizada.
Nossos controles estão funcionando, e não o contrário. A revisão interna não encontrou evidências de violações das leis ou regulamentos aplicáveis de sanções relacionados às transações descritas.
A empresa argumenta que a exposição relacionada a sanções é mínima e classifica os relatórios recentes como uma visão distorcida baseada em ex-funcionários insatisfeitos. Rachel Conlan, outra porta-voz da companhia, informou que um relatório completo sobre a investigação em andamento será submetido ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 25 de fevereiro.