Movimentação recente aponta para rotação de capital em ativos de risco apesar de indicadores sugerirem prudência no curto prazo
O mercado de criptomoedas vivenciou uma oscilação significativa entre a noite de quarta-feira e as negociações desta quinta-feira. A cotação do Bitcoin aproximou-se da marca de US$ 70.000, realizando a tentativa mais robusta de retomada desse patamar desde o declínio observado em 5 de fevereiro. O ativo, contudo, recuou posteriormente para a faixa de US$ 68.100, evidenciando a persistente volatilidade do setor, conforme dados repercutidos pela Invezz.
Essa movimentação representou uma variação de cerca de 5% entre a máxima da sessão e a mínima noturna, situada próxima a US$ 67.700. Apesar do impulso momentâneo, especialistas do setor alertam que o comportamento gráfico atual se assemelha mais a uma recuperação temporária, conhecida como "alta de alívio", do que ao início de uma nova fase de valorização sustentada.
Desempenho superior das altcoins
A dinâmica das negociações revelou um apetite por risco que se estendeu além da principal criptomoeda do mercado. Diversos ativos alternativos registraram ganhos percentuais superiores aos 4,3% anotados pelo Bitcoin, que figurou entre as menores valorizações no grupo dos dez principais tokens.
O Cardano liderou esse movimento com uma disparada de 10,8%, seguido pelo Dogecoin com 8,3% e o Ether, que subiu 8,5%, rompendo a resistência de US$ 2.000. A Solana também apresentou desempenho positivo, com ganho de 6,9%. Essa divergência costuma sinalizar um aumento na tolerância ao risco, com investidores migrando para ativos de maior volatilidade após períodos de vendas intensas.
Daniel Reis-Faria, CEO da ZeroStack, analisou o cenário em um relatório da CoinDesk.
"A onda de vendas forçadas está começando a se dissipar. As altcoins estão superando novamente, e mais delas estão à frente do bitcoin. Isso me diz que estamos vendo uma rotação."
Impacto no mercado acionário e liquidações
O volume de negociação do Bitcoin cresceu 34% em um intervalo de 24 horas, impulsionando a capitalização global do mercado para aproximadamente US$ 2,26 trilhões. Esse fluxo refletiu-se nas ações de empresas expostas ao setor. A Coinbase Global e a Strategy Inc. (antiga Microstrategy) registraram altas de 13,52% e 8,86%, respectivamente.
A valorização abrupta resultou na liquidação de mais de US$ 580 milhões em posições, eliminando majoritariamente apostas na baixa do mercado, de acordo com a Coinglass. O interesse em aberto no Bitcoin teve um incremento de 3,44%, embora o sentimento de grandes investidores nas principais exchanges continue negativo e o índice Crypto Fear & Greed aponte "Medo Extremo".
Cenário macroeconômico e riscos técnicos
A recuperação dos ativos digitais ocorreu em sintonia com o mercado financeiro tradicional. Índices como Nasdaq Composite, S&P 500 e Dow Jones Industrial Average apresentaram ganhos, influenciados parcialmente pelos resultados da Nvidia, que superaram expectativas. A Wintermute observou que os tokens têm se movido em correlação com ações de tecnologia.
Obstáculos para uma alta consistente permanecem no radar. A Matrixport citou a estagnação na oferta de stablecoins como uma barreira para a recuperação, enquanto a Glassnode estima que a melhora nas condições de liquidez pode levar pelo menos seis meses.
A análise on-chain da CryptoQuant indica que a pressão de venda diminuiu, mas a tendência de alta não está confirmada.
"Se a razão permanecer baixa, qualquer reação de alta no preço poderia criar as condições para um forte short squeeze. Em outras palavras, prepare-se para uma recuperação de alívio."
Riscos de queda ainda são considerados pela Bitrue, que adverte para possíveis declínios em direção a US$ 50.000 ou US$ 55.000 caso o suporte de US$ 60.000 seja perdido. A plataforma Santiment também destacou o aumento de conversas sobre "FOMO" como um possível sinal para realização de lucros.