Ferramenta disponível nas lojas da Apple e Google inicia testes na Rússia com proposta de pagamentos via QR code, embora governos ainda não tenham confirmado a legitimidade da solução
Uma nova plataforma financeira surgiu nas lojas de aplicativos da Apple e do Google com a promessa de transformar as transações internacionais entre nações emergentes. O BRICS Pay, lançado com data de referência em fevereiro de 2026, apresenta-se como uma solução para integrar sistemas nacionais, incluindo o Pix brasileiro, e facilitar o envio de valores no exterior. A informação foi reportada inicialmente pelo portal Livecoins.
O objetivo central da ferramenta é permitir que cidadãos e empresas do bloco econômico realizem operações comerciais sem depender de casas de câmbio ou papel-moeda. A tecnologia visa atender os nove membros oficiais da aliança atual: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos. A proposta elimina a necessidade de abertura de contas em bancos estrangeiros para despesas cotidianas em viagens.
Limitações técnicas e geográficas na estreia
Apesar da disponibilidade para download, a utilização prática do sistema enfrenta barreiras significativas nesta etapa inicial. O funcionamento efetivo está restrito ao território da Rússia. Além disso, a aceitação de cartões obedece a regras rígidas, autorizando apenas a rede Visa de bancos selecionados. A integração com a bandeira Mastercard e instituições locais consta no roteiro de desenvolvimento, mas segue sem data definida.
Integração entre Pix e sistemas globais
O desenho tecnológico do projeto prevê a unificação das redes de transferência instantânea dos países membros. O ecossistema planeja conectar o Pix do Brasil, o SBP da Rússia, o UPI da Índia e o WeChat Pay da China. Na prática, a carteira digital exibe os preços na moeda de origem do titular e realiza a liquidação via leitura de código QR. O painel de controle promete proteção em dupla camada e criptografia de dados.
Incertezas sobre a legitimidade do aplicativo
Apesar da presença nas lojas oficiais, pairam dúvidas sobre a oficialidade da solução. Nenhum governo integrante do bloco confirmou a veracidade do aplicativo ou incentivou sua adoção pela população. O site oficial faz menções ao mercado de criptomoedas, mas a falta de respaldo institucional levanta suspeitas na comunidade financeira.
Especialistas alertam para os riscos de segurança, lembrando que aplicativos maliciosos já conseguiram infiltrar-se em lojas oficiais no passado para roubar dados. Como a infraestrutura financeira e de criptomoedas é alvo frequente de crimes cibernéticos, a recomendação atual é de cautela, visto que a ferramenta ainda opera como um sistema paralelo e não substitui a rede SWIFT global.