Nova comissão parlamentar terá 120 dias para apurar esquemas de pirâmide e examinar transações financeiras envolvendo institutos de previdência municipais
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) oficializou, na última quarta-feira, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltada ao combate de fraudes financeiras. O colegiado tem como foco principal a investigação de golpes perpetrados através da oferta de falsos investimentos em criptomoedas e estratégias de marketing multinível, mecanismos frequentemente utilizados para mascarar esquemas de pirâmide que lesam pequenos investidores. Conforme as diretrizes estabelecidas, o grupo de trabalho terá um prazo de 120 dias para conduzir as apurações.
A presidência dos trabalhos foi atribuída ao deputado estadual Guto Zacarias (União). Entre as primeiras medidas, destaca-se um requerimento apresentado pelo parlamentar que coloca sob escrutínio as operações do Banco Master. O objetivo é analisar os aportes realizados por institutos de previdência de diversos municípios paulistas em letras financeiras da instituição. Vale ressaltar que o Banco Master sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Para aprofundar o entendimento sobre o caso, a comissão planeja ouvir Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição financeira.
A estrutura da CPI conta com representatividade da Baixada Santista. O deputado Tenente Coimbra integra o grupo como titular, comprometendo-se a buscar a responsabilização dos envolvidos em manobras que tenham causado prejuízos à população. A suplência inclui a deputada Solange Freitas (União). A vice-presidência ficou a cargo de Paulo Fiorilo (PT), enquanto a relatoria será conduzida por Leonardo Siqueira (Novo), segundo informações veiculadas pelo portal BS9.
Mudanças no cenário partidário
No campo das articulações políticas, o influenciador digital e empresário Pablo Marçal protagonizou uma mudança de legenda. Ele oficializou sua saída do PRTB e filiou-se ao União Brasil em evento realizado na zona sul de São Paulo. A cerimônia marcou uma mudança de tom em seu discurso.
Durante sua fala, Marçal dirigiu pedidos de desculpas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). O gesto busca reparar as críticas incisivas feitas a ambos durante o pleito de 2024, quando o empresário concorreu à Administração Municipal. O União Brasil projeta lançar Marçal como candidato a deputado federal, mas enfrenta obstáculos jurídicos.
Para concretizar a candidatura, será necessário reverter uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Desde dezembro do ano passado, Marçal encontra-se inelegível até 2032. A corte entendeu que houve uso indevido dos meios de comunicação na campanha, caracterizado pela promoção de um “campeonato de cortes” em redes sociais.
Cobranças na Baixada Santista
Ainda na esfera regional, a Câmara de Praia Grande aprovou um requerimento do vereador Eduardo Xavier (MDB) questionando a Secretaria de Estado da Segurança Pública e a Superintendência da Polícia Técnico-Científica. O documento exige esclarecimentos sobre os impedimentos para a reabertura do Instituto Médico Legal (IML) da cidade e quais medidas emergenciais estão em curso.
O parlamentar enfatizou os transtornos causados pelo fechamento da unidade, mesmo após obras no local. “É inadmissível que o nosso IML permaneça fechado mesmo após a realização de obras na unidade. A população está sendo penalizada. Corpos estão sendo encaminhados para municípios vizinhos, causando atrasos, sofrimento às famílias enlutadas e sobrecarga nos serviços regionais. Trata-se de uma questão de dignidade humana e respeito às famílias em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.”
Despedida de Nicolino Bozzella
A política regional perdeu, aos 81 anos, o advogado e ex-vereador de São Vicente, Nicolino Bozzella. Figura proeminente, ele acumulou oito mandatos no Legislativo vicentino entre 1969 e 2004, além de ter atuado como secretário municipal de Assuntos Jurídicos.
Bozzella mantinha forte ligação com o esporte, tendo presidido o Clube de Regatas Tumiaru na década de 1970 e atuado como diretor e conselheiro honorário do Santos Futebol Clube. Seu legado político segue com o filho, o ex-deputado federal Junior Bozzella, atual assessor especial da Presidência do clube alvinegro. O velório e a cerimônia de cremação foram agendados para ocorrer na Memorial Necrópole Ecumênica.