Acusado é filho de empresário contratado pela justiça americana e foi flagrado após se gabar do crime milionário em salas de bate-papo na internet
Uma operação conjunta internacional resultou na prisão de um suspeito de subtrair aproximadamente US$ 46 milhões em ativos digitais pertencentes aos Estados Unidos. A captura ocorreu na semana passada em São Martinho, território caribenho sob administração da França. O montante desviado estava sob a guarda do Serviço de Delegados dos EUA, entidade responsável pela segurança prisional e custódia no país. As informações iniciais constam em levantamento divulgado pelo portal Investidor10.
Durante a abordagem, autoridades encontraram com o indivíduo uma mala repleta de notas em espécie. Os agentes também apreenderam chaves de segurança e múltiplos discos rígidos na posse do homem, identificado como John Lick Daghita. A ação mobilizou esforços integrados entre a polícia federal americana e o exército francês encarregado da segurança da ilha.
Privilégio familiar e desvio de fundos
O acesso aos recursos institucionais ocorreu em virtude de laços corporativos da família. Daghita é filho do diretor-executivo da Command Services & Support, companhia terceirizada pelo governo para gerenciar valores digitais apreendidos judicialmente. O suspeito aproveitou essa conexão direta para acessar as carteiras virtuais do Serviço de Delegados e realizar transferências massivas, movimentando a maior parte do capital na criptomoeda Ethereum.
Rastros na internet
A descoberta do crime cibernético partiu das denúncias de um investigador independente que atende pelo pseudônimo ZachXBT. O próprio suspeito pavimentou o caminho para sua captura ao detalhar a invasão em diversos fóruns de discussão online. No decorrer do monitoramento investigativo, o autor do desvio chegou a enviar remessas criptografadas para a conta pública do investigador, em uma manobra de ofuscação conhecida como dusting.
O diretor da agência federal americana reforçou a postura incansável da instituição na proteção do patrimônio público e na caçada a criminosos financeiros em escala global.
“O FBI continuará trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, com nossos parceiros internacionais para rastrear, prender e levar à justiça aqueles que tentam fraudar os contribuintes americanos – não importa onde tentem se esconder”