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Novas provas de esquema milionário com criptomoedas apertam o cerco contra Javier Milei na Argentina

Mensagens vazadas e suposto acordo de cinco milhões de dólares impulsionam criação de comissão parlamentar para investigar o presidente argentino

Parlamentares da oposição argentina anunciaram nesta segunda-feira a criação de uma comissão ad hoc destinada a investigar o presidente Javier Milei e sua irmã, Karina Milei, por um suposto esquema de fraude envolvendo a criptomoeda LIBRA. A movimentação ocorre após a publicação de perícias telefônicas detalhando a comunicação entre o alto escalão do governo e promotores do ativo digital, conforme divulgado primeiramente pelo jornal O Globo.

O deputado Maximiliano Ferraro, líder do grupo parlamentar que já havia analisado o caso no ano anterior, justificou a nova investida legislativa detalhando a intencionalidade das ações presidenciais na divulgação do projeto na internet.

“O lançamento e a promoção da $LIBRA não foram de forma alguma improvisados ou acidentais por parte do presidente. Foi uma operação planejada, coordenada e premeditada”

Detalhes das transações e mensagens extraídas

Dados coletados no telefone de Mauricio Novelli, empresário do setor de criptoativos e identificado como lobista governamental, revelaram uma rede de contatos direta com a cúpula do Executivo. Os registros do dispositivo indicam que Novelli conversou com o mandatário em pelo menos cinco ocasiões distintas nos minutos exatos que antecederam a estreia do projeto no mercado.

As denúncias ganharam traços ainda mais graves com o vazamento de um suposto rascunho de contrato firmado entre o líder do país e o americano Hayden Davis, considerado a figura pública da iniciativa. O documento estipulava o repasse de cinco milhões de dólares em troca de publicidade para a moeda virtual. Anteriormente, o político chegou a negar o envolvimento sob a justificativa de não estar familiarizado com os detalhes técnicos da operação.

O parlamentar oposicionista destacou a magnitude do comprometimento institucional evidenciado pelos novos documentos e laudos que chegaram à imprensa local.

“O que essa evidência revela é claro: um esquema de coordenação direta entre operadores do mundo cripto — operadores muito marginais — e pessoas próximas ao presidente”

Movimentação contra o procurador do caso

O bloco de congressistas da oposição também planeja acionar um tribunal disciplinar contra Eduardo Taiano, procurador que comanda a investigação original do caso LIBRA. A denúncia formal alegará obstrução e possível acobertamento das provas levantadas. O grupo exige que o chefe de Estado e a Secretária-Geral da Presidência prestem os devidos esclarecimentos diante do Congresso Nacional.

Em novembro do último ano, uma comissão já havia concluído que as postagens de dados referentes à LIBRA na rede social X poderiam configurar o crime de fraude, atribuindo a devida responsabilidade política aos irmãos Milei. Em meio ao aprofundamento da crise, o presidente utilizou a mesma plataforma neste domingo para reagir ao cenário, endossando publicações da deputada Juliana Santillán a respeito de uma ofensiva coordenada do jornal Clarín contra o atual governo.

A resposta da principal liderança política da Argentina sobre o cerco midiático foi publicada de maneira enxuta em sua rede social oficial.

“A MÁFIA DA MÍDIA. Fim”

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