Patrick Witt defende coexistência entre instituições tradicionais e criptoativos enquanto congresso corre contra o tempo para aprovar lei clarity antes das eleições
O setor bancário não deve encarar a oferta de rendimentos em stablecoins por empresas de criptoativos como uma ameaça à sua hegemonia ou modelo de negócios. A avaliação parte de Patrick Witt, conselheiro da Casa Branca para o segmento, que classifica o atual embate entre a indústria digital e as instituições financeiras tradicionais como uma barreira desnecessária para o avanço regulatório.
Para o executivo, existe um caminho claro para que bancos tradicionais integrem esses ativos em seus portfólios, competindo em pé de igualdade com as plataformas nativas digitais.
"Eles também podem oferecer produtos de stablecoin aos seus clientes, da mesma forma que oferecem criptomoedas. Isso não representa uma vantagem injusta de forma alguma, e muitas empresas de criptomoedas estão agora solicitando licenças bancárias da OCC para começar a oferecer produtos semelhantes aos bancários aos seus clientes."
Witt considera lamentável que a disputa por essa fatia de mercado tenha gerado atrito, uma vez que o compartilhamento de rendimentos não compromete a estrutura das instituições financeiras.
"No futuro, não acho que isso será um problema. Acho que eles encontrarão oportunidades para usar esses produtos, alavancá-los e oferecer novos produtos aos seus clientes, expandindo seus negócios."
O impasse legislativo e a lei clarity
A discussão sobre a capacidade das plataformas de oferecerem recompensas aos detentores de stablecoins tornou-se um dos principais entraves para a aprovação do projeto de lei CLARITY. O texto visa estabelecer jurisdições claras entre a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), além de definir a tributação do setor.
Segundo a Cointelegraph, o Conselho de Criptomoedas da Casa Branca trabalha com a meta de sancionar a legislação antes do próximo ciclo eleitoral para evitar retrocessos.
Corrida contra o calendário eleitoral
O cenário político impõe urgência às negociações. Existe o receio de que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos em 2026 paralisem o progresso legislativo ou revertam diretrizes estabelecidas pela administração de Donald Trump. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi enfático sobre os riscos de uma mudança na composição do Congresso.
"Acho que se os democratas conquistarem a Câmara, o que está longe de ser o melhor cenário, as chances de se chegar a um acordo simplesmente irão por água abaixo."
A percepção de urgência é compartilhada pelos conselheiros governamentais, que veem o tempo para a consolidação das regras diminuir gradativamente.
"Há uma janela de oportunidade. A janela ainda está aberta, mas está se fechando rapidamente."