Levantamento identifica projetos com fundamentos sólidos e narrativas específicas para capturar valorização assimétrica após período de correção nos preços
O mercado de criptomoedas iniciou 2026 enfrentando forte pressão vendedora, com o Bitcoin recuando de patamares acima de US$ 90 mil para a região dos US$ 60 mil. Essa movimentação representou uma queda de quase 50% em relação ao pico de outubro, reacendendo o medo entre investidores e levantando dúvidas sobre um possível inverno cripto. Sinais recentes de consolidação, com o ativo oscilando entre US$ 65 mil e US$ 70 mil, indicam a formação de uma base de preços e a diminuição das liquidações, conforme apurado pelo Portal do Bitcoin junto a analistas do setor.
Ciclos de volatilidade são históricos no segmento e momentos de pânico costumam anteceder novas oportunidades. Embora a expectativa seja de que Bitcoin e Ethereum liderem o início de uma recuperação, especialistas consultados identificaram ativos fora do radar principal que possuem fundamentos para capturar fluxos assimétricos de capital.
Ondo e a tokenização de ativos reais
A Ondo (ONDO) aparece como destaque nas avaliações da equipe de Research do Mercado Bitcoin (MB) e de Ana de Mattos, analista técnica parceira da Ripio. O projeto foca na conexão entre o mercado financeiro tradicional e o ambiente on-chain através da tokenização de ativos como títulos públicos dos Estados Unidos. Essa estratégia insere o protocolo na narrativa de ativos do mundo real (RWA).
O valor de mercado inferior ao de grandes protocolos torna a criptomoeda mais sensível a fluxos de entrada, o que pode gerar maior volatilidade e potencial de alta. Ana de Mattos observa que o crescimento da liquidez no setor de RWAs favorece ativos ligados a esse segmento. A ONDO pode reagir com maior intensidade que ativos maiores em um cenário de entrada de capital institucional.
Hyperliquid e o apetite por risco
O protocolo de derivativos perpétuos Hyperliquid (HYPE) consolidou uma participação relevante no volume on-chain e surge como uma tese ligada ao retorno do apetite por risco. O ativo foi um dos destaques de 2025, atingindo cerca de US$ 3 trilhões em volume negociado e receita próxima a US$ 911 milhões, conforme ressalta Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext.
A dinâmica do token está associada ao retorno do volume especulativo e da alavancagem. O ativo tende a responder diretamente ao fluxo de negociação em um ambiente de retomada puxada por traders e volatilidade crescente.
Uniswap e a infraestrutura defi
A principal exchange descentralizada da rede Ethereum, Uniswap (UNI), mantém sua relevância na infraestrutura de finanças descentralizadas (DeFi). A equipe de Research do MB aponta que o token de governança pode se beneficiar de um eventual avanço regulatório e da possível aprovação de um ETF ligado ao ativo.
O retorno da liquidez ao mercado favoreceria a UNI tanto pelo aumento de volume nas negociações descentralizadas quanto pela maior visibilidade institucional. O ativo pode capturar movimentos técnicos relevantes ao operar em regiões de sobrevenda.
Layerzero e a interoperabilidade
A comunicação entre diferentes blockchains coloca a LayerZero (ZRO) em evidência. O protocolo atua na interoperabilidade omnichain e o lançamento da nova blockchain "Zero", com apoio de grandes instituições, reforça a proposta de infraestrutura escalável.
Projetos focados em eficiência operacional e integração entre redes tendem a ganhar destaque na retomada. A interoperabilidade é considerada fundamental para a expansão de aplicações institucionais em larga escala.
Chainlink e a demanda por dados
A conexão de contratos inteligentes a dados do mundo real mantém a Chainlink (LINK) como peça central da infraestrutura cripto. Ana de Mattos destaca a expansão dos produtos de dados em tempo real e o planejamento da CME para lançar derivativos regulados como fatores que aproximam o projeto do mercado tradicional.
A liquidez consistente e o interesse em aberto relevante favorecem a absorção de fluxo em ciclos de alta. O avanço da tokenização e a maior participação institucional tendem a aumentar a demanda por dados confiáveis e integrações on-chain.
Kaspa e a arquitetura blockdag
Fundamentos estruturais e modelo de emissão colocam a Kaspa (KAS) como uma opção para ciclos de retomada na visão de Taiamã Demaman. A arquitetura blockDAG permite a criação e confirmação paralela de blocos, elevando a velocidade sem abandonar a segurança do Proof of Work.
O lançamento do ativo ocorreu de forma 100% comunitária, sem pré-mineração. A oferta em circulação já atinge cerca de 95% do total, criando uma dinâmica de escassez crescente que amplia a assimetria em caso de novos fluxos de compra.
Ethena e o rendimento on-chain
A tese de stablecoins sintéticas e eficiência de capital no DeFi sustenta a aposta na Ethena (ENA). O modelo baseado na USDe utiliza hedge via derivativos para gerar rendimento. Discussões regulatórias nos EUA, como o Clarity Act, podem favorecer protocolos estruturados e alinhados ao capital institucional.
Ativos ligados a rendimento on-chain ganham tração em ambientes de juros mais baixos e maior liquidez. Analistas ponderam que, embora os líderes de mercado puxem a fila da recuperação, projetos com narrativas fortes e menor capitalização costumam apresentar desempenhos mais expressivos em fases maduras do ciclo.