Movimentação de carteiras com alto volume de custódia repete padrão observado antes da máxima histórica da criptomoeda
Indicadores técnicos de atividade na rede blockchain apontam para uma mudança relevante no comportamento dos maiores detentores de ativos digitais. Investidores classificados como "baleias" retomaram um ciclo de compras, retirando uma quantidade significativa de moedas de circulação. O padrão identificado guarda semelhanças técnicas com os movimentos registrados em abril de 2025, período que antecedeu uma recuperação agressiva nos preços, conforme apurado pelo Valor Econômico.
Levantamentos da empresa de análise Glassnode demonstram que, desde o início da retração do mercado em janeiro, aproximadamente 200 mil unidades de bitcoin (BTC) foram adicionadas às carteiras desses grandes investidores. O saldo agregado sob custódia desse grupo aumentou de 2,9 milhões para 3,1 milhões de unidades. A dinâmica de mercado sugere que a retirada de oferta das corretoras reduz a liquidez imediata, favorecendo a valorização do ativo.
Comparativo com ciclos de alta anteriores
A gestora Vault Capital avalia que o cenário atual espelha o comportamento gráfico do segundo trimestre de 2025. Naquele momento, a criptomoeda sofreu uma correção até a faixa de US$ 74 mil, servindo de base para o impulso subsequente que levou o ativo à sua máxima histórica de US$ 126 mil.
Para Marco Aurélio Camargo, CIO da Vault, embora o indicador on-chain não garanta isoladamente uma reversão de tendência, ele sinaliza um claro arrefecimento na pressão vendedora. A leitura é de que investidores com horizonte de longo prazo estão ampliando suas posições, absorvendo a venda de participantes que entraram recentemente no mercado e agora realizam perdas.
"Há um processo de transferência de mãos."
Cautela com o cenário macroeconômico
Apesar dos sinais positivos gerados pelo fluxo das baleias, a consolidação de uma retomada consistente depende de fatores externos. Especialistas apontam que o ambiente global precisa transicionar do atual quadro de aversão ao risco para um cenário mais favorável a ativos de volatilidade.
Camargo pondera que incertezas econômicas, tensões geopolíticas e receios quanto a uma eventual bolha no setor de inteligência artificial continuam limitando o apetite institucional. No entanto, o movimento de acumulação registrado marca o primeiro sinal técnico de diminuição da força vendedora.