Expectativa por novos indicadores econômicos dos estados unidos pressiona ativos de risco e leva maioria dos tokens digitais ao vermelho nesta segunda
O mercado de ativos digitais iniciou a semana com forte retração, marcando uma segunda-feira de perdas significativas para as principais criptomoedas globais. O bitcoin, principal referência do setor, recuou cerca de 3% nas últimas 24 horas e é negociado na faixa de US$ 68.200. A movimentação reflete a cautela dos investidores diante de uma agenda econômica carregada, que inclui a divulgação das atas do Federal Reserve e dados cruciais de inflação. As informações são da CoinDesk.
O cenário negativo se estendeu para além da moeda líder. Ativos como XRP, ether e dogecoin registraram desvalorizações percentuais ainda mais expressivas. Dados de mercado apontam que as perdas atingiram 85 dos 100 principais tokens por capitalização. O segmento de privacidade foi um dos mais afetados, com monero e zcash apresentando quedas de 10% e 8%, respectivamente.
Desempenho frustrante após sinais de corte de juros
A atual fraqueza dos preços contrasta com o otimismo gerado na semana anterior. O índice de preços ao consumidor (IPC) dos Estados Unidos desacelerou para 2,4% em janeiro, reforçando as apostas de que o Fed poderia realizar pelo menos dois cortes de juros de 25 pontos-base neste ano. O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos chegou a cair para 4,05%, o menor nível desde dezembro.
O bitcoin chegou a reagir a esses indicadores durante o fim de semana, superando brevemente a marca de US$ 70.000, mas não conseguiu sustentar o patamar. A falta de continuidade no movimento de alta aponta para uma demanda ainda hesitante por parte dos investidores institucionais e de varejo.
Vikram Subburaj, CEO da exchange Giottus, explicou a dificuldade do ativo em manter patamares elevados. “O apetite por risco permaneceu seletivo e as correntes macroeconômicas cruzadas mantiveram os traders na defensiva. No mercado de derivativos, o comportamento continua como se estivesse ‘reduzindo alavancagem primeiro, fazendo perguntas depois.’ Os ralis têm lutado para se sustentar e as quedas estão sendo compradas apenas de forma seletiva próximo a níveis óbvios.”
Atenção voltada para o núcleo do pce
A semana promete ser decisiva com a divulgação do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), indicador favorito do Banco Central americano para calibrar a política monetária. Investidores buscam sinais claros sobre a trajetória da inflação para ajustar suas posições.
A analista da Nexo, Dessislava Laneva, ressaltou a importância dos próximos indicadores. “A inflação PCE, a medida preferida pelo Fed, será monitorada de perto para confirmação de que as pressões sobre os preços estão moderando, especialmente após o CPI mostrar apenas uma desinflação gradual e a inflação permanecer acima da meta de 2%.”
Laneva complementou sobre a estratégia dos investidores. “Os mercados avaliarão tanto o momento mensal quanto a tendência ano a ano para as implicações no caminho da política.”
Correlações e movimentos específicos
Nos mercados tradicionais, observou-se uma correlação positiva recorde entre o iene japonês e o bitcoin nos últimos meses. Mark Nash, da Jupiter Asset Management, projeta uma valorização de até 9% para a moeda japonesa, o que poderia servir como catalisador para investidores otimistas com a criptomoeda.
Enquanto isso, o ether busca estabilização próximo a US$ 2.000. O ativo sofreu pressão de venda após o trader Garrett Jin transferir US$ 540 milhões para a Binance, gerando um repique modesto após condições de sobrevenda. Em paralelo, o ouro segue sendo negociado na faixa de US$ 5.000, superando o desempenho da prata e dos ativos digitais em um dia de feriado nos mercados americanos.