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Bitcoin volta a cair e rompe suporte de 65 mil dólares em meio ao temor de guerra comercial global iniciada por Trump

Criptomoeda líder do mercado registra mínima de duas semanas enquanto investidores reagem à ameaça de tarifas globais de 15 por cento

A cotação do bitcoin recuou para níveis inferiores a US$ 65 mil (R$ 334,5 mil) nesta segunda (23), marcando a segunda queda significativa deste mês. O movimento reflete a apreensão do mercado financeiro diante das indefinições sobre a política tarifária dos Estados Unidos. O ativo digital chegou a cair 4,8%, atingindo a mínima de US$ 64,3 mil (R$ 331 mil), o menor valor registrado desde o início de fevereiro. As informações são da Bloomberg.

A desvalorização ocorre em um cenário de embate institucional em Washington. A Suprema Corte americana anulou recentemente o uso de poderes de emergência pelo presidente Donald Trump para imposição de tarifas. Em resposta, Trump utilizou as redes sociais no sábado para ameaçar elevar a tarifa global de 10%, anunciada anteriormente, para 15%. Autoridades americanas tentaram acalmar os ânimos no domingo, afirmando que os acordos comerciais vigentes permanecem válidos, mas a turbulência econômica já havia se instalado.

O analista-chefe de mercado da IG, Chris Beauchamp, avaliou o comportamento dos investidores diante da volatilidade. "Por enquanto, os compradores de bitcoin estão mantendo o nível de US$ 65 mil. Uma queda abaixo desse nível durante a madrugada ocorreu em baixa liquidez e, por enquanto, foi comprada. É claro que se recuperar de uma mínima é muito diferente de um rali completo".

Impacto generalizado no mercado de criptoativos

O pessimismo não se restringiu ao bitcoin. O ether, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, sofreu uma retração ainda mais acentuada, caindo até 5,2% e sendo negociado próximo a US$ 1.915 (R$ 9.858). Dados da CoinGecko apontam que, em apenas 24 horas, o mercado cripto perdeu mais de US$ 100 bilhões em valor.

O atual ciclo de baixa eliminou todos os ganhos acumulados desde a reeleição de Trump em novembro de 2024. A expectativa inicial de um governo favorável aos ativos digitais havia impulsionado o bitcoin a um recorde histórico acima de US$ 126 mil em outubro de 2025. Desde então, uma onda massiva de vendas retirou mais de US$ 2 trilhões do setor.

Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, destaca os riscos macroeconômicos que pressionam os preços. "O mercado de criptomoedas continua frágil, com os participantes do mercado contando com suporte em US$ 60 mil. A incerteza macroeconômica está agora pesando sobre o mercado, desde tensões geopolíticas com o Irã até o vaivém das tarifas dos EUA, e pode levar a outro teste desse nível."

Fuga de capitais e análise técnica

O fluxo de investimento institucional também reflete a cautela. Os doze fundos de bitcoin à vista listados nos Estados Unidos completaram cinco semanas consecutivas de saídas líquidas, totalizando a retirada de US$ 3,8 bilhões no período. Trata-se da sequência negativa mais longa desde fevereiro do ano passado.

Robin Singh, CEO da plataforma Koinly, argumenta que o mercado carece de novos impulsionadores. "Apesar do recente otimismo em torno da Lei de Clareza dos EUA, ela não moveu muito os preços, sugerindo que esse catalisador não é a narrativa que aumentará a cotação do bitcoin. O bitcoin está clamando por uma nova narrativa neste momento".

Do ponto de vista técnico, a proteção contra novas quedas concentra-se na faixa de US$ 60 mil, conforme dados da bolsa de derivativos Deribit. Rachael Lucas, analista da BTC Markets, reforça a importância dos suportes atuais. "Uma queda abaixo disso coloca os US$ 60 mil em jogo. No cenário de alta, os otimistas precisam retomar US$ 70 mil para mudar a narrativa".

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