Dados do índice de preços ao produtor acima do esperado e incertezas sobre conflito no oriente médio afetam desempenho dos ativos de risco nesta sexta
O mercado de criptoativos opera em trajetória negativa nesta sexta-feira (27), interrompendo a recuperação observada no meio da semana. A desvalorização ocorre em um cenário macroeconômico pressionado por índices inflacionários nos Estados Unidos superiores às projeções e pelo aumento da aversão ao risco devido a tensões geopolíticas. A conjugação desses fatores resultou em uma queda acumulada de 0,7% para o bitcoin nos últimos sete dias, conforme apuração baseada em dados do Valor Investe.
Às 11h16, a principal moeda digital do mercado registrava recuo de 2,5% nas últimas 24 horas, sendo cotada a US$ 66.301. Em moeda nacional, o ativo apresenta baixa de 2%, negociado a R$ 341.562. O movimento de venda se estende às altcoins, com o ether sofrendo uma desvalorização diária de 5,1%, cotado a US$ 1.960, apesar de ainda sustentar uma alta de 1,4% na janela semanal.
Inflação americana e impacto tecnológico
O ambiente econômico nos Estados Unidos foi determinante para a performance negativa. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) avançou 0,5% em janeiro, superando a estimativa de 0,3% dos economistas. No acumulado de 12 meses, a alta atingiu 2,9%. Indicadores inflacionários acima do esperado tendem a impactar negativamente ativos de renda variável, categoria na qual as criptomoedas se inserem.
O setor de tecnologia também influenciou o sentimento do investidor. Ações da Nvidia recuaram mais de 5% na véspera, em meio a renovados temores sobre disrupções causadas pela inteligência artificial. Maximiliaan Michielsen, analista da gestora 21Shares, observa a correlação entre os dados macroeconômicos e o ativo digital.
“O ponto central: a queda do bitcoin coincidiu com um movimento de redução de risco em múltiplas classes de ativos – não com um colapso na atividade ou adesão nativas do mercado cripto”
Tensões geopolíticas no radar
Incertezas internacionais voltaram a pautar as mesas de operação após reuniões diplomáticas sem êxito. Rony Szuster, head de análise do Mercado Bitcoin (MB), contextualiza o impacto do encontro malsucedido entre representantes norte-americanos e iranianos em Genebra.
“O encontro reduziu a probabilidade de um acordo em torno do programa nuclear iraniano e, como consequência, elevou a percepção de risco de um eventual ataque ao país já em março. Esse cenário amplia as incertezas globais, pressiona o preço do petróleo para cima e enfraquece ativos de risco, refletindo a tradicional busca por proteção em momentos de tensão internacional”
Fluxo institucional e rumores de mercado
Rumores corporativos também circularam no mercado. Vinicius Bazan, CEO da consultoria Underblock, comentou sobre as especulações envolvendo a corretora Jane Street, uma das participantes autorizadas do ETF da BlackRock.
“Anteontem, eles foram processados [pela administradora judicial da falência da Terraform Labs] por envolvimento com o colapso da Terra/Luna em 2022, que afundou o mercado cripto. Agora, nesses últimos meses, ela estaria manipulando o preço do bitcoin para comprar mais barato nessas grandes quedas”
Vale ressaltar que especialistas, como James Seyffart da Bloomberg Intelligence, rejeitam a tese de que tais manipulações seriam responsáveis pelo atual mercado de baixa.
Mesmo diante da volatilidade, o interesse institucional permanece. Os ETFs de bitcoin à vista nas bolsas americanas registraram um saldo líquido positivo de US$ 254,4 milhões no último pregão, marcando o terceiro dia consecutivo de entradas. O fundo IBIT, da BlackRock, foi o destaque, respondendo pela maior parte do volume comprador.