Documento divulgado por entidades de cibersegurança chinesas mapeia estratégia de washington para controle de ativos digitais e reforço da soberania do dólar
O governo norte-americano realizou o confisco de mais de trinta bilhões de dólares em ativos de moeda virtual globalmente entre os anos de 2022 e 2025. A cifra consta em um relatório técnico publicado em 26 de fevereiro por um consórcio de organizações de segurança cibernética apoiadas pelo Estado chinês, incluindo o NCVERC (Centro Nacional de Resposta a Emergências contra Vírus de Computador).
A publicação, intitulada "Top Player", sustenta que Washington utiliza sua infraestrutura tecnológica dominante para se apropriar de ativos digitais ao redor do mundo. As autoridades dos Estados Unidos teriam combinado infiltração cibernética com uma interpretação abrangente de jurisdição extraterritorial. O objetivo central seria colocar as finanças digitais sob supervisão americana e impedir que outras nações utilizem criptomoedas para contornar o sistema financeiro baseado no dólar.
O setor de ativos virtuais tornou-se um alvo estratégico ao atingir uma capitalização de mercado de 2,73 trilhões de dólares em janeiro de 2026. O relatório descreve um "sistema de três frentes" montado pelos EUA, integrando capacidades tecnológicas avançadas, mecanismos legais e agências de aplicação da lei para executar as apreensões.
Caso chen zhi e a apreensão de 15 bilhões
Um dos episódios centrais citados no documento envolve Chen Zhi, fundador do Prince Group do Camboja. Promotores do Distrito Leste de Nova York anunciaram, em outubro de 2025, acusações de fraude em telecomunicações e lavagem de dinheiro contra o executivo, revelando o confisco de 127 mil bitcoins, avaliados em 15 bilhões de dólares na ocasião.
A versão chinesa contesta a narrativa legal americana. Uma análise técnica do NCVERC afirma ter encontrado evidências de que hackers estatais dos EUA invadiram a carteira fria do pool de mineração "LuBian" ainda em 2020 para subtrair os fundos. As acusações criminais formalizadas cinco anos depois teriam servido apenas para legitimar uma expropriação realizada anteriormente via ciberataque.
Vigilância sobre a binance
O acordo judicial que resultou em uma multa de 4,3 bilhões de dólares para a corretora Binance e seu fundador, Changpeng Zhao, também é classificado pelo relatório como abuso de poder. As agências norte-americanas teriam implantado uma vigilância técnica abrangente entre 2023 e 2025, infiltrando servidores da empresa para monitorar transações internas e acessar dados sensíveis.
Investigadores teriam descoberto que menos da metade dos usuários americanos da plataforma haviam completado a verificação de identidade, explorando brechas no sistema. O monitoramento incluiu a interceptação de comunicações onde Zhao instruía o uso de aplicativos criptografados para ocultar evidências.
O documento finaliza apontando que grupos de hackers ligados a Washington atacaram mais de vinte grandes corretoras globais no período, roubando chaves privadas e dados de negociação para enriquecimento direto do Estado. As informações são do Poder360, baseadas em reportagem original da Caixin Global.