Autoridade financeira aponta vulnerabilidades em sistemas eletrônicos e planeja ampliar controle regulatório após erro operacional da corretora bithumb
O órgão regulador do mercado financeiro da Coreia do Sul manifestou-se nesta segunda-feira (9) sobre o incidente envolvendo a corretora Bithumb. A plataforma realizou uma transferência não intencional superior a US$ 40 bilhões em bitcoin para sua base de clientes, situação que, segundo as autoridades, expõe a urgência de diretrizes mais severas para mitigar vulnerabilidades no setor de criptoativos.
A falha operacional ocorreu no sábado (7), quando a corretora enviou as criptomoedas erroneamente como parte de recompensas promocionais. O movimento inesperado desencadeou uma onda de vendas na plataforma, impactando o mercado local. Segundo dados da investigação inicial das autoridades financeiras, a Bithumb distribuiu um total de 620 mil bitcoins, dos quais 99,7% já foram recuperados pela empresa. Dos 1.786 bitcoins que chegaram a ser vendidos antes da suspensão das transações, 93% retornaram ao controle da corretora.
Lee Chan-jin, presidente do Serviço de Supervisão Financeira (FSS), abordou o tema em entrevista coletiva, destacando a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle. Para o executivo, o episódio revela riscos que exigem uma resposta legislativa para enquadrar os ativos digitais sob supervisão mais rigorosa.
“É um caso que mostra os problemas estruturais dos sistemas eletrônicos para ativos virtuais. Há muitas áreas que estamos analisando seriamente, e estamos particularmente preocupados com a questão dos sistemas eletrônicos”
O presidente do FSS reforçou que o trabalho de fiscalização deve acompanhar a evolução do mercado, visto que as moedas digitais estão cada vez mais próximas do ambiente econômico convencional.
“Há tarefas para melhorar significativamente o sistema regulatório, à medida que os ativos virtuais estão em processo de incorporação ao sistema financeiro tradicional”
Histórico recente e impacto no mercado
O ambiente regulatório sul-coreano já havia passado por endurecimento com a introdução da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais em julho de 2024. A medida foi uma resposta ao colapso das criptomoedas terraUSD e luna, ocorrido em 2022. Atualmente, o governo planeja apresentar um novo projeto de lei para expandir o controle sobre o setor, além de discutir regulamentações específicas para stablecoins lastreadas em won.
Analistas de mercado observam o incidente com preocupação, temendo que o erro atrase o desenvolvimento institucional do segmento.
“É lamentável que um incidente como esse tenha ocorrido em um momento em que havia movimentos por parte de instituições financeiras para fomentar o setor, como operações de fusões e aquisições, com base na expectativa de maior apoio político, que agora será adiado”
Sobre as especulações de que a Bithumb teria distribuído mais ativos do que realmente possuía — as chamadas “moedas fantasmas” —, Lee afirmou que essa questão precisa ser solucionada antes que as criptomoedas possam ser consideradas ativos financeiros tradicionais. Ele reiterou que os usuários que venderam os bitcoins recebidos por engano possuem a obrigação legal de devolvê-los.
Em relação à possível introdução de fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista no país, o posicionamento do FSS permanece cauteloso. A estabilidade do sistema precisa ser plenamente garantida antes de avanços nessa direção, segundo a autarquia, conforme reportado pelo Money Times.