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Crash do bitcoin: entenda a queda de quase 40% desde a máxima do ano passado

Criptomoeda recua para patamar inédito desde novembro de 2024 e acumula perdas expressivas após romper suportes importantes de preço e enfrentar cenário macroeconômico adverso

O mercado de criptoativos enfrenta uma forte correção, com o bitcoin (BTC) sendo negociado na faixa de US$ 76 mil após atingir mínimas abaixo de US$ 74 mil durante o dia. A desvalorização marca o retorno do ativo aos níveis observados pela última vez em 6 de novembro de 2024. O movimento de baixa intensificou-se a partir de outubro, momento em que a moeda digital havia alcançado sua máxima histórica de US$ 126 mil.

As perdas acumuladas desde o recorde já somam 39,7%. A tendência negativa teve início com uma liquidação massiva de US$ 19 bilhões em posições compradas, o que reduziu drasticamente o apetite do mercado. Desde então, suportes relevantes de preço, como os de US$ 100 mil e US$ 85 mil, foram rompidos sem desencadear a recuperação esperada pelos analistas.

Saída de capital e concorrência com metais

A dinâmica atual reflete a saída de investidores de varejo que sofreram perdas na queda inicial de outubro, movimento acompanhado pela venda de bilhões de dólares por grandes investidores, conhecidos como "baleias". Paralelamente, metais preciosos atraíram o fluxo de capital, com o ouro registrando alta superior a 30% no mesmo período.

O gestor da B2V Crypto, Axel Blikstad, observa que a realização de lucros era prevista ao atingir marcas psicológicas importantes. "Sempre soubemos que US$ 100 mil era um nível mágico para o bitcoin e muita gente iria querer realizar ganhos quando chegasse lá. O bitcoin foi escorregando e as narrativas começaram a surgir."

Geopolítica e riscos tecnológicos

O cenário macroeconômico contribuiu para a instabilidade, influenciado por tensões geopolíticas envolvendo ameaças dos Estados Unidos ao Irã e à Groenlândia. Além disso, debates sobre a segurança da blockchain frente ao avanço da computação quântica ganharam força na comunidade em 2026, gerando cautela entre investidores institucionais.

Apesar da confirmação de um novo "inverno cripto", especialistas avaliam que o ciclo atual pode ser menos severo que os anteriores de 2018 e 2022, quando as quedas chegaram a 70%. Relatório da consultoria Altside indica que a pressão vendedora recente parte majoritariamente de investidores de curto prazo, configurando uma reorganização tática em vez de uma rejeição estrutural do ativo.

Os consultores da firma de alta renda analisaram o comportamento dos participantes do mercado. "Os dados on-chain reforçam essa leitura ao mostrar que a pressão vendedora esteve concentrada, majoritariamente, em investidores de curto prazo, enquanto detentores de longo prazo permaneceram amplamente inativos ou atuaram como absorvedores de oferta."

Regulação e perspectivas futuras

O atraso na aprovação do "Clarity Act", projeto de lei focado na regulação de criptoativos nos EUA, também pesou sobre o desempenho do setor. A votação, originalmente prevista para janeiro, foi postergada após a retirada de apoio de lideranças da indústria, como Brian Armstrong, CEO da Coinbase.

A expectativa de recuperação recai agora sobre as próximas reuniões do Federal Reserve (Fed) e a possibilidade de cortes na taxa de juros americana, somada a um desfecho razoável para a legislação pendente. "Se o Clarity Act passa de maneira razoável pode ser positivo. Temos que ver o desenrolar, mas a postergação de algo que era certo para janeiro prejudicou as criptomoedas."

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