Suspeito foi localizado no caribe após investigação apontar desvio de fundos confiscados pelo serviço de marshals dos estados unidos
Uma operação conjunta envolvendo o FBI e autoridades francesas resultou na prisão de um contratado do governo norte-americano, acusado de subtrair uma fortuna em ativos digitais. Kash Patel, diretor do departamento federal de investigação, confirmou nesta quinta-feira (5) a captura de John Daghita na ilha de Saint Martin. O suspeito teria desviado aproximadamente US$ 46 milhões (cerca de R$ 241,5 milhões) em criptomoedas pertencentes ao U.S. Marshals Service.
A detenção ocorreu em território caribenho e mobilizou unidades táticas especializadas para cumprir o mandado contra o indivíduo, que prestava serviços à administração federal. O diretor do órgão destacou a colaboração internacional necessária para o sucesso da ação. "Na noite passada, John Daghita — um contratado do governo dos EUA que supostamente roubou mais de US$ 46 milhões em criptomoedas do U.S. Marshals Service — foi preso na ilha de Saint Martin pela principal unidade tática de elite da Gendarmaria Francesa, em uma operação conjunta com o FBI."
Rastreamento de fundos e ostentação online
Indícios sobre as atividades ilícitas de Daghita surgiram publicamente meses antes da prisão, por meio de apurações conduzidas pelo detetive on-chain ZachXBT. O investigador independente revelou que o suspeito foi identificado após demonstrar posse de grandes quantias em discussões na internet. O comportamento imprudente incluiu o compartilhamento de tela de uma carteira digital durante uma disputa de ego em um grupo de chat.
O episódio foi registrado e analisado pelo especialista em rastreamento de blockchain. "Mais cedo hoje, John entrou em uma discussão acalorada com outro agente malicioso conhecido como Dritan Kapplani Jr. em um chat em grupo para ver quem tinha mais fundos em carteiras de criptomoedas."
As evidências apontam que o suspeito ostentava um saldo de US$ 23 milhões em um endereço eletrônico conectado a roubos que somam US$ 90 milhões entre os anos de 2024 e 2025. Durante a interação gravada, transações significativas foram observadas em tempo real. "Na parte 1 da gravação, Dritan zomba de John, mas John compartilha a tela da carteira Exodus, que mostra o endereço Tron abaixo com US$ 2,3 milhões. Na parte 2 da gravação, Dritan continua zombando de John enquanto mais US$ 6,7 milhões em ETH são movidos para o endereço de carteira abaixo."
Conexões familiares e prestação de serviço
A investigação aponta ainda para ligações familiares que podem ter facilitado o acesso aos sistemas governamentais. O pai de John Daghita figura como proprietário da CMDSS, uma empresa contratada para realizar o gerenciamento e a liquidação de criptoativos confiscados pelo governo. O detetive ZachXBT ponderou sobre essa relação no início do ano. "Ainda não está claro, neste momento, como John obteve acesso por meio do pai."
O rastreamento dos fundos indicou que um endereço específico recebeu US$ 24,9 milhões provenientes de uma carteira dos Estados Unidos, relacionada a uma apreensão histórica ligada ao caso Bitfinex. Rumores em canais de cibercrime no Telegram já sugeriam que o suspeito poderia ser o mesmo indivíduo detido anteriormente em setembro de 2025, fato que demandava confirmação adicional na época.
Ao concluir o anúncio da prisão, a liderança do FBI reforçou o compromisso com a vigilância constante contra fraudes ao erário. Patel garantiu a continuidade dos esforços para monitorar atividades suspeitas. "O FBI continuará trabalhando 24/7 para rastrear, capturar e prender aqueles que tentarem fraudar os contribuintes americanos."