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A linha do tempo da aprovação do fundo de Bitcoin da BlackRock pela SEC

A aprovação dos primeiros fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos marcou um ponto de inflexão definitivo para o mercado financeiro global. Após uma década de recusas sistemáticas, a Securities and Exchange Commission (SEC) concedeu, em 10 de janeiro de 2024, a autorização para que gigantes do setor, incluindo a BlackRock, iniciassem as negociações desses ativos. Essa decisão não apenas legitimou a criptomoeda como uma classe de ativos investível, mas também abriu as portas para uma institucionalização sem precedentes do setor.

O processo que culminou nesta aprovação histórica foi repleto de volatilidade, expectativas de mercado e até incidentes de segurança cibernética envolvendo o próprio órgão regulador. Para investidores e observadores, entender a cronologia exata — desde o pedido inicial da BlackRock até o início das negociações — é fundamental para compreender a magnitude deste evento que, segundo analistas, tem potencial para atrair dezenas de bilhões de dólares para o ecossistema cripto.

O pedido inicial e a mudança de cenário

A narrativa da aprovação ganhou um novo capítulo decisivo em junho de 2023. Foi neste momento que a BlackRock, reconhecida como a maior gestora de ativos do mundo, submeteu oficialmente seu pedido para lançar um ETF de Bitcoin à vista. De acordo com a XP Investimentos, esse movimento foi um dos catalisadores que renovaram as esperanças do mercado, dado o peso institucional da gestora.

Até aquele momento, a postura da SEC havia sido inflexível. O órgão regulador rejeitou pedidos semelhantes por mais de dez anos, citando consistentemente preocupações de que o mercado de Bitcoin pudesse ser facilmente manipulado. A entrada da BlackRock na disputa sinalizou para o mercado que as condições poderiam estar mudando, criando uma expectativa de que a aprovação era uma questão de “quando”, e não mais de “se”.

A volatilidade pré-aprovação e o incidente no X

A semana da decisão final foi marcada por tensão e um incidente de segurança grave. Na terça-feira, 9 de janeiro de 2024, a conta oficial da SEC na plataforma X (antigo Twitter) foi comprometida. Hackers publicaram uma mensagem falsa confirmando a liberação dos ETFs antes da hora oficial.

Segundo informações da CNN Brasil, essa notícia falsa provocou uma oscilação imediata no mercado. O Bitcoin chegou a atingir sua maior cotação em 21 meses, tocando a marca de US$ 47.897, antes de cair mais de 3% assim que a fraude foi revelada e a notícia desmentida pelo próprio órgão regulador.

O dia da aprovação oficial

A confirmação verídica veio no dia seguinte, quarta-feira, 10 de janeiro de 2024. Gary Gensler, presidente da SEC, comunicou a aprovação de 11 pedidos de fundos, consolidando a vitória de gestoras como BlackRock, Ark Investments, 21Shares, Fidelity, Invesco e VanEck.

Em comunicado oficial, Gensler confirmou que o órgão aprovou a listagem e negociação desses produtos, embora a postura cautelosa do regulador tenha se mantido presente em seu discurso. A decisão representou uma reviravolta histórica para a agência, que se viu pressionada pela demanda do mercado e por decisões judiciais anteriores que questionavam suas negativas.

Lista dos fundos aprovados e seus tickers

Com a luz verde do regulador, 11 fundos foram autorizados a iniciar suas operações. A diversidade de emissores garantiu uma competição imediata por taxas e liquidez. A lista completa dos fundos aprovados inclui:

  • iShares Bitcoin Trust (IBIT) – O fundo da BlackRock, que iniciou com US$ 122 milhões de ativos;
  • Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) – O maior fundo inicial, convertendo US$ 28 bilhões de ativos pré-existentes;
  • Fidelity Wise Origin Bitcoin Trust (FBTC) – Com US$ 247 milhões de ativos iniciais;
  • Bitwise Bitcoin ETF (BITB) – Iniciando com US$ 240 milhões;
  • VanEck Bitcoin Trust (HODL);
  • ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB);
  • Franklin Bitcoin ETF (EZBC);
  • Invesco Galaxy Bitcoin ETF (BTCO);
  • Hashdex Bitcoin ETF (DEFI);
  • WisdomTree Bitcoin Fund (BTCW);
  • Valkyrie Bitcoin Fund (BRRR).

Esses veículos de investimento permitiram, pela primeira vez nos EUA, que investidores acessassem a exposição ao Bitcoin através de contas de corretagem tradicionais, sem a necessidade de gerenciar chaves privadas ou carteiras digitais complexas.

Como funcionam os ETFs de bitcoin

Para o investidor comum, a aprovação simplificou drasticamente o acesso ao mercado de criptoativos. Os ETFs funcionam como uma “cesta” de ativos negociada em bolsa com um preço único. No caso específico desses fundos aprovados, eles são atrelados diretamente à variação do preço do Bitcoin no mercado à vista (spot).

A principal vantagem, conforme destacado por especialistas, é a diversificação e facilidade operacional. Vários ativos podem ser comprados e vendidos em uma única operação. Andrew Bond, diretor administrativo da Rosenblatt Securities, classificou a aprovação como um grande ponto positivo para a institucionalização do Bitcoin como classe de ativos, afirmando que a medida legitima ainda mais a criptomoeda.

Expectativas de fluxo e impacto no preço

A euforia em torno da aprovação não foi infundada. Analistas do Standard Chartered projetaram, na semana da aprovação, que os ETFs poderiam atrair fluxos de entrada entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões apenas no primeiro ano. Segundo essas projeções, tal influxo de capital teria força suficiente para elevar o preço do Bitcoin para até US$ 100 mil.

Outras análises apontaram para um cenário de longo prazo igualmente robusto, estimando fluxos próximos de US$ 55 bilhões ao longo de cinco anos. O mercado já havia precificado parte desse otimismo: nos meses que antecederam a decisão da SEC, o Bitcoin registrou uma valorização superior a 70%, impulsionada quase que exclusivamente pela expectativa desses novos veículos de investimento.

O início das negociações: “Sell the news”

Apesar das projeções otimistas de longo prazo, a reação imediata do mercado após o início das negociações, em 11 de janeiro (quinta-feira), seguiu o clássico padrão de “comprar no boato e vender no fato”.

Embora o pregão de estreia tenha iniciado positivo, os novos fundos fecharam o dia praticamente estáveis. No dia seguinte, sexta-feira, o mercado observou uma correção, com os ativos caindo mais de 5%, acompanhando a desvalorização do preço do Bitcoin no mercado à vista. Esse movimento de realização de lucros curto prazo demonstrou que, mesmo com a entrada de gigantes como a BlackRock, a volatilidade inerente ao ativo digital permanece presente.

Considerações finais sobre o novo cenário

A aprovação do fundo iShares Bitcoin Trust da BlackRock e de seus concorrentes pela SEC encerrou um longo capítulo de incerteza regulatória nos Estados Unidos. Embora o comportamento inicial dos preços tenha frustrado investidores que esperavam uma alta vertical imediata, a infraestrutura criada por esses ETFs estabeleceu as bases para a entrada de capital institucional massivo nos anos seguintes.

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