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Movimentação atípica de milhões em criptoativos iranianos dispara 873% durante ataques aéreos e expõe estratégia do regime para driblar bloqueios

Dados de blockchain revelam como cidadãos e militares usam mercado de us$ 7,8 bilhões para proteger patrimônio ou financiar operações em meio ao conflito com eua e israel

A escalada do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma reação imediata na arquitetura financeira digital da república islâmica. Avaliado em US$ 7,8 bilhões, o mercado de criptomoedas iraniano registrou picos expressivos de retirada de fundos de corretoras locais, coincidindo com o momento exato de ataques aéreos contra o país. O movimento sugere uma busca frenética por proteção de patrimônio por parte da população civil, ao mesmo tempo que indica manobras governamentais para contornar sanções internacionais. As informações constam em relatórios recentes da Chainalysis e da Elliptic, repercutidos pelo Valor Econômico.

As análises de blockchain identificaram um padrão claro de fuga de capitais. A Chainalysis detectou que, na hora seguinte ao início dos bombardeios, cerca de US$ 2,3 milhões foram sacados de corretoras iranianas. O volume representa um salto de 873% em comparação à média horária habitual. Esses recursos foram pulverizados entre plataformas no exterior, outras exchanges domésticas e carteiras não identificadas.

Ari Redbord, chefe global de política e assuntos governamentais da TRM Labs, explicou a dualidade desse fluxo financeiro.

“O que temos visto no Irã é tanto usuários legítimos utilizando criptomoedas como uma tábua de salvação em meio a uma crise geopolítica quanto um regime dissidente usando infraestrutura cripto para evasão de sanções em grande escala”

Fluxo intenso na maior corretora do país

O monitoramento da Elliptic corroborou os dados de volatilidade, focando na Nobitex, a maior corretora de criptoativos do Irã, que possui uma base de mais de 11 milhões de usuários. A plataforma registrou um aumento de 700% nas saídas de recursos logo após os primeiros ataques. Em 28 de fevereiro, o pico de retiradas por hora atingiu US$ 2,89 milhões, um contraste significativo com os US$ 358 mil observados no dia anterior.

A Nobitex tem sido alvo de escrutínio internacional por suas supostas ligações com o aparato militar de Teerã. As movimentações ocorrem em um cenário de guerra ativa, com o Irã lançando mísseis contra bases americanas no Catar, Bahrein e Omã, além de emitir ameaças contra navegações no Estreito de Ormuz.

Crise econômica e uso militar

O recurso aos ativos digitais é impulsionado por uma tempestade econômica interna, marcada por inflação de dois dígitos e desvalorização severa da moeda local. Para mitigar a crise cambial, o Banco Central do Irã adquiriu mais de US$ 500 milhões em ativos digitais lastreados em dólar ao longo de um ano, conforme relatório de janeiro da Elliptic.

O envolvimento estatal no setor é profundo. No último trimestre do ano passado, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi responsável por mais da metade de toda a atividade cripto no país, segundo a Chainalysis. Em resposta, o Office of Foreign Assets Control (OFAC) dos EUA sancionou duas exchanges iranianas em janeiro, acusadas de processar fundos ligados à IRGC.

Kaitlin Martin, analista sênior de inteligência da Chainalysis, contextualizou a convergência de fatores que levam à adoção massiva dessa tecnologia na região.

“Temos esses grandes eventos geopolíticos acontecendo e uma moeda doméstica em colapso. É a tempestade perfeita para que os usuários recorram ao ambiente das criptomoedas.”

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