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Por que o bitcoin está em alta e como os dados de inflação nos EUA afetam a criptomoeda

A recente valorização do bitcoin, que voltou a se aproximar da marca psicológica de US$ 70 mil, está diretamente ligada aos novos dados de inflação dos Estados Unidos divulgados em fevereiro de 2026. O mercado reagiu com otimismo após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de janeiro apresentar números abaixo do esperado, sinalizando um arrefecimento na pressão inflacionária norte-americana.

Essa desaceleração nos preços é o combustível principal para a retomada do apetite ao risco por parte dos investidores. Com a inflação sob controle, aumentam as chances de o Federal Reserve (o banco central dos EUA) adotar uma política monetária mais branda, reduzindo as taxas de juros ainda no primeiro semestre deste ano. De acordo com a CNN Brasil, esse cenário torna ativos de renda variável, como as criptomoedas, muito mais atrativos em comparação aos títulos do Tesouro americano.

A reação do mercado aos números do cpi

A resposta dos ativos digitais foi imediata à divulgação dos dados. Em uma única sessão na sexta-feira (13), o bitcoin registrou um avanço expressivo de 4,7%, sendo cotado a US$ 69.005,91 no final da tarde. Esse movimento reverteu parte das perdas acumuladas no início de 2026 e trouxe novo fôlego para os “touros” do mercado.

Não foi apenas o bitcoin que se beneficiou desse cenário macroeconômico. O ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, teve um desempenho ainda superior, subindo 6,4% e atingindo a cotação de US$ 2.057,63. Esse movimento coordenado sugere que a liquidez está voltando para o ecossistema cripto de forma ampla, impulsionada pela desvalorização relativa do dólar frente a expectativas de juros menores.

Expectativas sobre a taxa de juros do fed

A correlação entre o preço do bitcoin e as decisões do Federal Reserve nunca foi tão evidente. Quando os juros estão altos, o custo do dinheiro sobe e investidores tendem a migrar para a segurança da renda fixa americana. O inverso ocorre quando há perspectiva de cortes: o capital flui para ativos de maior risco e maior potencial de retorno.

Após a divulgação do CPI de janeiro, as apostas do mercado se consolidaram. Dados da ferramenta de monitoramento do CME Group indicam que a probabilidade de uma redução de juros na reunião de junho subiu para 68,7%, contra 66,7% antes do relatório. Essa precificação antecipada é o que sustenta a alta atual, com o mercado tentando se posicionar antes da confirmação oficial do Fed.

Visão dos especialistas para 2026

Apesar do otimismo de curto prazo, analistas mantêm uma postura cautelosa e ajustam suas projeções para a realidade de 2026. Geoff Kendrick, chefe de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, revisou recentemente suas metas para o preço do bitcoin.

A previsão anterior, que apontava para US$ 150.000, foi reduzida para US$ 100.000 até o fim do ano. Kendrick destaca que o bitcoin tende a ser um investimento que “segue o momentum”, ou seja, depende de tendências fortes para manter sua trajetória de alta.

Além disso, há um alerta importante para os investidores: a volatilidade deve continuar. O analista não descarta a possibilidade de uma correção mais severa, onde a criptomoeda poderia testar suportes na região de US$ 50.000. Segundo ele, caso esse cenário negativo se concretize, seria uma “excelente oportunidade de compra” para quem visa o longo prazo, considerando que o ativo já acumula uma queda de 24% desde o início do ano, antes desta recuperação recente.

Novos produtos financeiros e etfs

Outro fator que colabora para a maturidade e a sustentação dos preços é a contínua institucionalização do setor. Grandes players continuam buscando formas de oferecer exposição regulada aos ativos digitais.

Um exemplo recente é a movimentação da Truth Social Funds, afiliada ao Trump Media & Technology Group. A empresa apresentou um registro à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para lançar dois novos fundos negociados em bolsa (ETFs): o Truth Social Cronos Yield Maximizer ETF e o Truth Social Bitcoin and Ether ETF.

A entrada de novos produtos financeiros no mercado cria canais adicionais para a entrada de capital institucional e de varejo, aumentando a profundidade do mercado e, teoricamente, ajudando a reduzir a volatilidade extrema ao longo do tempo. Conforme aponta a análise do Investing.com, essa resiliência institucional é um pilar fundamental para o suporte dos preços em momentos de incerteza macroeconômica.

O cenário técnico e o futuro próximo

Olhando para os gráficos, o rompimento da barreira dos US$ 69 mil é um sinal técnico positivo, mas a resistência dos US$ 70 mil permanece como o grande desafio a ser superado pelos compradores. O mercado agora aguarda os próximos indicadores econômicos, como os dados de emprego (Payroll) e as próximas falas dos dirigentes do Fed, para confirmar se a tendência de alta tem força para buscar novas máximas históricas ainda no primeiro semestre de 2026.

Para o investidor, o momento exige atenção aos dados macroeconômicos. A inflação controlada é o cenário ideal para o bitcoin brilhar, mas qualquer surpresa negativa nos índices de preços pode reverter rapidamente o humor do mercado. A estratégia predominante entre especialistas continua sendo a de acumulação em quedas, visando a recuperação cíclica projetada para o decorrer do ano.

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