Pular para o conteúdo
Início » Nova proposta na câmara quer endurecer punição para lavagem de dinheiro e evasão de divisas com criptomoedas

Nova proposta na câmara quer endurecer punição para lavagem de dinheiro e evasão de divisas com criptomoedas

Proposta legislativa busca atualizar normas vigentes e tipificar novas modalidades de crimes financeiros envolvendo ativos digitais e blockchain

O combate aos ilícitos financeiros no ambiente virtual ganhou um novo capítulo na Câmara dos Deputados. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) protocolou, na quarta-feira (25), o Projeto de Lei 746/2026, desenhado para intensificar as sanções contra infrações que utilizam ativos digitais. A medida visa modernizar o arcabouço legal brasileiro frente à migração da criminalidade para o ecossistema digital.

A justificativa da parlamentar baseia-se na obsolescência das normas atuais, criadas antes da consolidação de tecnologias como o blockchain e novas estruturas financeiras.

“A legislação vigente, concebida nas décadas de 80 e 90, carece de atualização para enfrentar a era da tecnologia.”

A declaração consta no documento oficial apresentado, conforme informações repercutidas pelo Portal do Bitcoin.

Combate à criptoevasão e lavagem de dinheiro

O texto estabelece punições mais severas para a lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas. O rigor será ampliado especialmente em casos de reincidência, envolvimento de grupos organizados ou utilização de mecanismos para ocultar os verdadeiros beneficiários das transações.

Outro ponto central da proposta é a tipificação explícita da “criptoevasão”. A prática consiste no envio de valores ao exterior por meio de criptoativos sem a devida autorização legal ou declaração, configurando crime de evasão de divisas sob a nova ótica legislativa.

Para conferir celeridade às investigações e facilitar o rastreamento de operações suspeitas, o projeto prevê o reforço na troca de informações entre o Ministério Público, autoridades policiais e órgãos de inteligência financeira. O texto ressalta, no entanto, a manutenção de salvaguardas para a privacidade financeira dos cidadãos.

Responsabilidade de gestores e diretrizes globais

A proposta aborda ainda a responsabilização dos gestores do sistema financeiro. O objetivo é diferenciar profissionais que tomam decisões de boa-fé daqueles que agem de forma fraudulenta ou deliberadamente arriscada, garantindo segurança jurídica para a atuação correta no setor.

A iniciativa busca alinhar o Brasil às recomendações do Grupo de Ação Financeira (GAFI/FATF), organismo internacional responsável pelos padrões globais de combate ao financiamento do terrorismo e lavagem de dinheiro. A autora do projeto reforça que o intuito não é restringir o uso legítimo das criptomoedas, mas impedir a exploração da tecnologia para fins ilegais. A matéria seguirá para análise nas comissões da Câmara antes de eventual votação em plenário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *