Analistas preveem volatilidade contínua e destacam oportunidades em ativos como ethereum e solana após recuo de 40% no valor do bitcoin desde outubro
O mercado global de criptomoedas enfrenta um cenário de aversão ao risco que levou o Bitcoin (BTC) a operar abaixo do patamar de US$ 70 mil pela primeira vez em 15 meses. O recuo representa uma desvalorização superior a 40% em relação ao recorde histórico registrado em outubro. Apesar do momento desafiador, um levantamento realizado pelo InfoMoney junto a exchanges e casas de análise aponta que o principal ativo digital do mercado permanece entre as recomendações, ao lado de outras cinco criptomoedas, para o mês de fevereiro.
A expectativa de especialistas é que o mês mantenha a tendência de instabilidade. Guilherme Prado, country manager da Bitget, avalia o movimento atual não como um problema estrutural, mas como uma correção natural. "Vemos a recente queda do Bitcoin mais como uma fase de reajuste do mercado do que como um colapso estrutural. Para quem tem paciência e uma visão de longo prazo, o Bitcoin continua sendo uma excelente opção de investimento".
Dados macroeconômicos globais devem continuar exercendo forte influência sobre os ativos de risco nas próximas semanas. Renato Lima, cofundador e diretor de operações da Onda Finance, ressalta a importância de estratégias defensivas neste período. "Em fevereiro, o mercado segue em um ambiente de alta sensibilidade aos dados macroeconômicos globais, com impacto direto sobre os ativos de risco". Lima acrescenta que as stablecoins ganham relevância como ferramentas de proteção e eficiência operacional.
Confira abaixo as teses de investimento e as criptomoedas indicadas pelos analistas para o período:
Ethereum (ETH)
A segunda maior criptomoeda do mercado segue como referência para finanças descentralizadas (DeFi). André Sprone, líder de estratégia de crescimento para a América Latina na MEXC, aponta que o ativo "mantém sua posição como infraestrutura preferida para DeFi e ativos tokenizados". A projeção de longo prazo, visando 2026, foca na interoperabilidade e na aplicação prática da tecnologia no mundo real.
Bitcoin (BTC)
Mesmo diante da queda recente, a liquidez e a adoção institucional sustentam a tese de investimento na moeda. Marcelo Person, diretor de cripto e mercados da Foxbit, observa que o fluxo de ETFs à vista e o interesse de grandes investidores são fatores determinantes. "O fluxo constante de ETFs spot e o interesse de grandes investidores indicam que o BTC ainda deve ditar o tom de mercado em fevereiro".
Solana (SOL)
O ecossistema da Solana apresenta potencial de valorização impulsionado por expectativas regulatórias nos Estados Unidos, especificamente a possível aprovação de um ETF à vista com opção de staking. Rony Szuster, chefe de pesquisa do Mercado Bitcoin, nota também um aumento na demanda corporativa. "Diante desse cenário, o ecossistema apresenta potencial de desempenho positivo para o mês".
Hyperliquid (HYPE)
A combinação entre a velocidade de exchanges centralizadas e a transparência da blockchain coloca a Hyperliquid no radar dos analistas. Valter Rebelo, chefe de cripto da Empiricus, destaca a eficiência da rede. "Em um contexto onde liquidez é prêmio e infraestrutura importa, Hyperliquid oferece características que atraem traders institucionais e varejistas em busca de alternativas eficientes".
XRP (XRP)
A resolução do processo envolvendo a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) trouxe novo fôlego institucional ao ativo, somado à expectativa por um fundo de índice (ETF). Guilheme Fais, chefe de finanças da NovaDAX, analisa o comportamento de preço da moeda. "No aspecto técnico, a superação estável da faixa dos 2 dólares é frequentemente vista como indicativo de retomada de confiança, refletindo mais a leitura de sentimento do mercado do que mudanças estruturais imediatas".
Tether Gold (XAUt)
Para investidores que buscam refúgio em momentos de turbulência, a stablecoin lastreada em ouro surge como opção. Marcelo Person recomenda atenção ao ativo em fevereiro. "Esse tipo de ativo vinculado ao ouro pode oferecer uma alternativa a ativos atrelados ao dólar em tempos de alta volatilidade".