Aquisição de dezessete mil moedas digitais representa o maior volume negociado pela companhia nas últimas sete semanas de operações financeiras
A companhia Strategy efetuou a compra de quase US$ 1,3 bilhão em bitcoins ao longo da última semana. A transação envolveu 17.994 unidades da criptomoeda e configurou a maior movimentação da empresa sob o comando de Michael Saylor em quase dois meses. O portal de finanças Valor noticiou o documento regulatório detalhando a operação de mercado divulgada no dia nove.
Para viabilizar o aporte bilionário, a gestão recorreu majoritariamente à venda de ações ordinárias Classe A, levantando cerca de US$ 900 milhões. O restante do montante teve origem em vendas no mercado de suas ações preferenciais do tipo Stretch, comercializadas com desconto em relação ao valor de face e responsáveis por US$ 377 milhões do total investido.
O uso dos papéis preferenciais saltou de 3% na semana anterior para quase 30% no período entre os dias 2 e 8 de março. A administração da empresa, antes conhecida como MicroStrategy, havia sinalizado uma priorização desses ativos para captação de recursos, visando evitar a diluição constante das participações dos acionistas atuais.
O analista da Benchmark Mark Palmer avaliou o atual cenário de captação da companhia e as perspectivas para os novos títulos ofertados aos investidores.
“Embora a Strategy esteja estimulando a demanda por STRC ao tornar mais investidores conscientes de seu papel como um equivalente de mercado monetário de alto rendimento, esse esforço ainda está em seus estágios iniciais. Esperamos que a STRC se torne o principal veículo de financiamento da Strategy à medida que a demanda aumentar.”
A corretora Benchmark atua dentro de um grupo autorizado a negociar os ativos da Strategy no mercado financeiro. Durante as últimas sete aquisições semanais da criptomoeda, a organização vendeu em torno de US$ 1,7 bilhão em ações ordinárias e cerca de US$ 470 milhões em ações preferenciais perpétuas.
Rendimento e custos das operações com criptoativos
As ações preferenciais lançadas neste ano garantem um rendimento anual de 11,5% aos detentores, com reajustes mensais. A tática busca atrair capital sem punir os investidores de papéis ordinários. Para sustentar esse mecanismo, a valorização do ativo digital precisa superar a velocidade de acúmulo das obrigações da corporação, que atualmente mantém uma reserva de caixa próxima a US$ 2,25 bilhões.
O custo médio da última rodada de aquisições atingiu US$ 76.000 por unidade. O valor representa um prêmio considerável sobre o preço praticado pelo mercado na abertura desta semana, girando em torno de US$ 69.000. No balanço geral, a empresa acumula um preço médio de compra de US$ 71.000 por unidade do criptoativo.
Instabilidade nos mercados internacionais afeta ações
As recentes liquidações em balanços altamente expostos ao universo cripto ressaltam o apelo da estabilidade oferecida pelos títulos Stretch. O ativo digital ultrapassou a marca de US$ 73.000 recentemente antes de perder parte dessa valorização, mantendo o histórico de oscilações intensas registradas ao longo do ano.
As variações de preço coincidem com a pressão nos mercados globais derivada do conflito em curso no Irã. Os papéis ordinários da Strategy funcionam como um termômetro direto do bitcoin e registraram uma queda acumulada de aproximadamente 55% no recorte dos últimos doze meses de negociação.