Movimentação de grandes investidores reduz liquidez da principal stablecoin do setor enquanto emissora minimiza impacto e aponta flutuações normais de curto prazo
A stablecoin mais utilizada do ecossistema global de ativos digitais atravessa um momento de retração expressiva em sua oferta circulante. Dados compilados pela Artemis Analytics indicam que o USDT registrou uma diminuição de aproximadamente US$ 1,5 bilhão apenas nas primeiras semanas de fevereiro, somando-se a um recuo anterior de US$ 1,2 bilhão observado em janeiro. Se o ritmo de resgates se mantiver até o encerramento do mês, o ativo enfrentará sua maior queda mensal em quase três anos. O cenário remete a dezembro de 2022, data da última contração de magnitude comparável, ocorrida logo após a falência da corretora FTX. As informações foram repercutidas pela Binance.
Impacto na liquidez e contestação da Tether
O USDT representa atualmente cerca de 71% de todo o mercado de stablecoins, acumulando uma capitalização de US$ 183 bilhões. Dada a sua predominância, reduções sustentadas em sua oferta costumam ser interpretadas por analistas como um sinal de aperto na liquidez disponível para negociações de criptoativos, especialmente em períodos de incerteza.
A empresa emissora do ativo, no entanto, rejeita a tese de que os números atuais indiquem uma tendência negativa estrutural. Um porta-voz da Tether enfatizou que a análise baseada em apenas 18 dias de dados não é suficiente para estabelecer um padrão de longo prazo, comparando o desempenho do USDT com concorrentes diretos.
“Para contexto, durante o mesmo período, o USDC viu uma queda de US$ 4,6 bilhões, ou aproximadamente 6%.”
A organização atribui as mudanças recentes a dinâmicas de distribuição específicas das exchanges, e não a uma perda de interesse por parte dos usuários finais.
“Flutuações de oferta de curto prazo devem ser vistas no contexto de programas de troca e estrutura de mercado, não como evidência de erosão estrutural na posição do USDt.”
Divergência entre baleias e novos entrantes
A análise dos dados on-chain aponta para um comportamento divergente entre diferentes perfis de investidores. Segundo monitoramento da Nansen, carteiras pertencentes a grandes detentores, conhecidas como baleias, venderam cerca de US$ 69,9 milhões em USDT na última semana, o que representa um aumento na atividade de venda desse grupo.
Em direção oposta, novos participantes parecem estar aproveitando o momento para entrar no mercado. Carteiras criadas nos últimos 15 dias acumularam um total de US$ 591 milhões em USDT no mesmo intervalo. Essa movimentação sugere que a demanda de novos investidores está agindo para compensar parcialmente os resgates realizados por jogadores mais antigos.
Crescimento do mercado amplo de stablecoins
Apesar do recuo específico nos líderes de mercado, o setor de moedas estáveis como um todo continua em expansão. Dados do DeFiLlama mostram que a capitalização total desse nicho subiu 2,33% em fevereiro, passando de US$ 300 bilhões para US$ 307 bilhões.
Enquanto USDT e USDC registraram quedas de 1,7% e 0,9% respectivamente, outros ativos apresentaram ganhos expressivos. A stablecoin USD1, da World Liberty Financial, vinculada à família Trump, viu sua capitalização de mercado aumentar 50% no último mês, atingindo a marca de US$ 5,1 bilhões. O cenário geral indica uma rotação de liquidez e realocação de capital, afastando, por ora, a hipótese de uma fuga sistêmica ou perda de confiança generalizada.