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Fim das incertezas e o avanço silencioso das criptomoedas como infraestrutura bancária no Brasil em até cinco anos

Adoção de ativos digitais pelo sistema financeiro tradicional supera fase de testes e foca na integração tecnológica para clientes

O debate sobre a viabilidade das criptomoedas no sistema financeiro encerrou sua fase de experimentação para focar definitivamente na estruturação técnica. Executivos do setor bancário preveem que os ativos digitais serão peças indissociáveis da economia global em um horizonte de cinco anos. As discussões recentes ocorridas na terça-feira (17) durante o evento Merge São Paulo evidenciaram essa transição estratégica, conforme apontado pelo portal Cointelegraph.

Larissa Moreira desempenha o papel de gerente de produtos de ativos digitais do Itaú Unibanco e observa o cenário atual como uma realidade já consolidada. A profissional detalha a mudança de perspectiva das instituições frente às inovações de mercado.

“Hoje, temos a oportunidade de enxergar o universo cripto não apenas como uma classe de ativos, mas como uma base tecnológica capaz de transformar o sistema bancário e financeiro — não só no Brasil, mas também em escala global.”

O dinheiro caminha para uma fragmentação cada vez maior e esse fenômeno exige que as instituições consigam unificar redes distintas, múltiplos trilhos de pagamento e diferentes blockchains. O objetivo principal dessa unificação é entregar uma jornada fluida e intuitiva ao consumidor final, reduzindo custos operacionais. A complexidade das tecnologias subjacentes, como as stablecoins, deve operar de forma transparente para o usuário comum.

A representante do Itaú Unibanco reforça o foco das equipes de desenvolvimento na superação dos desafios de integração de sistemas.

“Acredito que essa é, hoje, a principal missão que estamos desenvolvendo dentro do setor bancário.”

Custódia fortalece a confiança institucional

A preservação do relacionamento com o público exige o cumprimento de regulações, processos de compliance e análise rigorosa de dados operacionais (KYC). A criação de soluções de guarda de ativos tornou-se um pilar estratégico para os bancos mais tradicionais. O próprio Itaú figurou entre os pioneiros no desenvolvimento desse tipo de ferramenta interna para assegurar a confiabilidade das transações digitais.

A executiva pontua o papel dessas engrenagens na sustentação e na perenidade das operações econômicas.

“A custódia é um pilar importante para sustentar a confiança. No entanto, ela é apenas uma parte de um conjunto maior. Precisamos continuar desenvolvendo produtos, processos e integrações que fortaleçam todo o sistema como um todo.”

Tecnologia invisível impulsiona acessibilidade na Bolívia

A aplicação prática dessa revolução silenciosa já apresenta resultados expressivos em mercados vizinhos da América do Sul. A Bolívia enfrentou recentemente uma severa crise estrutural marcada pela escassez de dólares no país. O cenário de retração limitou drasticamente o acesso da população e do setor empresarial a serviços essenciais globalizados.

Alvaro Rosenblüth atua como gerente de tesouraria e câmbio do Banco de Crédito da Bolívia. O gestor relata a solução emergencial elaborada pela instituição para contornar o congelamento cambial.

“O que fizemos foi transformar toda essa infraestrutura complexa em algo simples: um produto digital que funciona exatamente como um cartão tradicional de três partes. Ou seja, mantivemos a experiência que eles já conheciam.”

A base tecnológica do novo produto boliviano utiliza a rede blockchain, mas essa camada permanece integralmente oculta durante o uso diário. O impacto dessa estratégia refletiu diretamente na escalabilidade comercial da instituição de crédito. A empresa bancária registrou um salto notável, passando de 20 mil credores ativos para a marca de 100 mil cartões emitidos após a adoção da nova arquitetura descentralizada.

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