Diretora da gigante de cartões defende que moedas digitais superam sistemas tradicionais em velocidade e custo nas transferências internacionais
A incidência de tributos como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não elimina a eficiência operacional das moedas digitais com paridade em ativos reais. O diagnóstico do mercado atual foi feito ao Valor pela diretora de blockchain e cripto da Visa para a América Latina e o Caribe, Antônia Souza. A executiva avalia que a tecnologia supera os arranjos financeiros convencionais na movimentação de valores entre diferentes países.
O ecossistema financeiro internacional carece de um sistema unificado de pagamentos instantâneos. “Stablecoins resolvem ‘dores’ para movimentação de dinheiro transfronteiriço, pois não existe um Pix no mundo todo. O Pix está expandindo, mas ainda não está em todo lugar. Os custos no modelo tradicional são altos, as transferências demoram”
O funcionamento dessas criptomoedas baseadas em paridade de um para um com moedas fiduciárias, como o dólar, cria uma dinâmica ininterrupta de operações. Elas funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, viabilizando repasses internacionais instantâneos sem as amarras dos controles de câmbio convencionais. A imutabilidade da blockchain garante rastreabilidade, barateamento e velocidade ao processo.
Projetos globais e o avanço da inteligência artificial
A bandeira de cartões mantém atualmente mais de 130 programas em escala global dedicados a cartões vinculados a esse tipo de criptoativo. A companhia oferece ainda a solução VTAP, uma infraestrutura voltada para bancos que desejam emitir suas próprias moedas na rede Ethereum. “Pensamos muito nesse momento em que os bancos estão entendendo e trazendo a tecnologia para dentro de casa. A Visa exclui a necessidade de os bancos desenvolverem tudo internamente”
As parcerias estratégicas da empresa englobam nomes do mercado cripto, como Bridge, Reap e Stripe. O trabalho conjunto com a Stripe envolve o uso de agentes de inteligência artificial para pagamentos na rede blockchain Tempo. Testes reais com grandes instituições bancárias já estão em andamento para validar a eficácia desse modelo autônomo. “Começamos a falar do futuro, em que os agentes poderão fazer transações a pedido dos usuários. Fizemos na semana passada a primeira transação com o Banco do Brasil em agentes IA.”
Liquidação direta no mercado nacional e evolução do Swift
O Brasil recebeu recentemente uma nova solução de liquidação de transações diretas. O sistema dispensa a conversão do valor digital para a moeda fiduciária tradicional no momento em que o fluxo financeiro sai do cartão do cliente para o terminal do lojista. A expectativa é iniciar a operação prática em breve. “O primeiro cliente utilizando esse produto deve sair em junho, em uma preparação pré-Copa do Mundo”
A inserção das inovações em blockchain não indica necessariamente o fim das redes de comunicação financeira globais já estabelecidas. O sistema Swift continuará fazendo parte do panorama de transferências corporativas internacionais, atuando de maneira paralela às novas alternativas. “Com relação ao Swift, vemos uma evolução. Stablecoin é um novo trilho e não vemos como um cenário de um ou outro.”